Sono e imunidade: dormir bem fortalece o sistema imune

Sono exerce influência direta na manutenção da imunidade e da resposta imunológica.

“Dorme que passa!”. Quem nunca ouviu essa frase? Muitos de nossos avós recomendavam dormir para que a pessoa melhorasse de uma gripe, mal-estar ou até sentimento ruim. Dormir sempre foi indicado como um “remédio” para a pessoa se recompor, se recuperar de algo que não vai bem e, nesse caso, a sabedoria popular está certa.

Há muito tempo pesquisas na área da Medicina do Sono demonstram os benefícios de um sono regular de qualidade para o nosso sistema imunológico. Sabemos que o sono é importante para a restauração do sistema imune, pois favorece a produção das células de defesa do nosso organismo, como leucócitos e subtipos (linfócitos CD4 e CD8), níveis de citocinas e concentração de anticorpos.

As citocinas, por exemplo, são ativadas imediatamente toda vez que temos contato com um agressor, como vírus ou bactérias. É como se o sistema imunológico declarasse guerra a esses invasores e essas proteínas são parte importante do sistema de defesa.

Estudos com trabalhadores em plantões noturnos mostram que as pessoas com sono insuficiente e privação de sono possuem uma resposta imunológica prejudicada e estão mais propensas a doenças infecciosas.

Para exemplificar, supondo que duas pessoas tiveram contato com o mesmo vírus. Elas estão expostas ao mesmo risco, mas uma dormiu bem à noite e a outra dormiu muito pouco. Aquela que dormiu pouco está mais propensa a contrair a infecção.

Outro fator de proteção ligado ao sono parece ser a melatonina, hormônio regulador do sono que é secretado pelo nosso organismo, principalmente enquanto dormimos. Diversos trabalhos sugerem que a melatonina possui uma atividade anti-inflamatória e antioxidante, servindo como um modulador de defesa imunológica contra infecções virais.

Em tempos de pandemia

Denominado “Sono e imunidade em tempos de COVID-19”, o artigo contemplou a revisão bibliográfica de publicações científicas dos últimos cinco anos, a partir de palavras-chave como sono, quarentena, COVID-19, imunidade e saúde mental, além de livros específicos.

Os colegas pesquisadores concluíram que o sono exerce influência direta na manutenção da imunidade e da resposta imunológica. Além disso, a alteração do ritmo circadiano, atrelada aos problemas psicológicos impostos pela pandemia, podem comprometer não apenas a qualidade do sono, mas também o sistema imune. E isso acontece por meio da regulação de marcadores imunológicos.

Sono x vacina

A literatura científica também mostra que dormir bem favorece a eficácia das vacinas que recebemos. Segundo publicação na National Sleep Foundation, o sono não apenas aumenta a função do sistema imunológico, mas também desempenha um papel na melhoria das respostas dos anticorpos às vacinas. Isso significa que dormir o suficiente antes e depois de ser vacinado pode ajudar na maneira como as vacinas irão agir no nosso organismo.

Para exemplificar, estudos com a vacina H1N1 mostram que a produção de anticorpos medida após 10 dias em pacientes que dormiram entre 7 e 8 horas por noite foi o dobro quando comparada com aqueles que dormiram apenas 4 horas por noite.

Muitas vezes as vacinas são compostas por vírus inativos e quando dormimos bem temos um sistema imune melhor, o que significa que a vacina terá um resultado melhor no nosso organismo com a produção de mais anticorpos.

Podemos concluir que o sono ruim prejudica a resposta imunológica do nosso organismo, enquanto um sono de qualidade ajuda a proteger e fortalecer o sistema imunológico, evitando que fiquemos mais expostos a quadros infecciosos, inclusive a COVID-19.

*Saiba mais sobre melatonina e COVID-19, acesse aqui.

Referência:
Sleep, Immune Health, and Vaccination. National Sleep Foundation. December 28, 2020.
– Martins e Silva ES; Silva Ono BHV; Souza JC. Sleep and immunity in times of COVID-19. Rev. Assoc. Med. Bras. vol.66  supl.2 São Paulo  2020  Epub Sep 21, 2020. https://doi.org/10.1590/1806-9282.66.s2.143